Por Denise Mello*
Para 30% dos consumidores moradores
de Curitiba e Região Metropolitana com débitos em atraso, o desemprego
foi apontado como a principal causa do não pagamento das dívidas. A área
de serviços da Associação Comercial do Paraná (ACP) atendeu durante o
mês de maio 20.611 consultas de consumidores que procuraram a
instituição, com a finalidade de verificar suas restrições de crédito.
Do total de consultas, 12.385 pessoas
(60%), estavam inadimplentes, ao passo que 8.226 (40%) não apresentavam
restrições de crédito.
Além do desemprego, empréstimo do
nome, descontrole de gastos, queda da renda e doenças na família também
são apontados como causa da inadimplência. Os consumidores ouvidos têm
entre 21 a 60 anos e são na maioria homens (53%) e mulheres (47%).
Ao todo, a equipe da ACP realizou 876
entrevistas com os consumidores, apurando que do número total dos
questionários respondidos 30% (264 pessoas) declararam como causa da
inadimplência o desemprego, que segundo o relato de 27% (233 pessoas)
foi motivada pelo descontrole de gastos, ou ainda o empréstimo do nome
mencionado por 25% (218 pessoas).
Segundo a amostragem, 37% (328
pessoas) estavam com o crédito barrado no comércio e 30% (264 pessoas)
haviam recebido carta do estabelecimento comercial informando que seu
nome seria incluído no SCPC. Para 104 pessoas (11,8%) a motivação da
consulta era saber se o nome constava do SCPC, mesmo com o débito pago,
enquanto 26 entrevistados (2,9%) relataram o roubo e uso indevido de
seus documentos por terceiros.
No item emprego/desemprego a
amostragem indicou, no entanto, um dado contraditório quando se tratou
de explicar a falta de pagamentos das dívidas, tendo em vista que 72%
dos entrevistados revelaram estar empregados e apenas 19% confirmaram o
desemprego.
Carnês (293), cheques (236), cartões
de loja (176), empréstimos (93), cartões de crédito (69) foram as formas
de pagamento utilizadas pelos compradores que deixaram de saldar os
débitos na primeira quinzena de maio, muito embora 36% deles tenham
mostrado interesse em pagar as contas, 38% pretendem renegociar com o
credor e 10% pagar a dívida imediatamente.
Entre os credores, segundo respostas
dos inadimplentes, 42% tomaram a iniciativa de oferecer alguma vantagem
para a quitação do débito, ao passo que 52% não demonstraram interesse
em facilitar o pagamento. Pouco mais da metade dos inadimplentes (53%)
pretendem continuar comprando e 38% vão aguardar a melhoria das
condições financeiras.
Cresce procura por crédito
O número de pessoas que procuraram
crédito em maio cresceu 14% em relação ao mês anterior, de acordo com
levantamento divulgado pela empresa de consultoria Serasa Experian no
último dia 12. Em abril, havia sido registrado recuo de 11,2%. Na
comparação com maio do ano passado, houve queda de 7,5%. No acumulado do
ano, a demanda apresentou redução de 7,6% ante o mesmo período de 2011.
Entre as faixas de renda, a procura
por crédito cresceu 16,3% (na passagem de abril para maio) entre aqueles
com salário até R$ 500 por mês. Na faixa de R$ 500 a R$ 1.000 mensais,
foi registrada alta de 15% e, na de entre R$ 1.000 e R$ 2 mil, de 13,2%.
Já entre os consumidores com renda mais elevada (de R$ 5 mil a R$ 10
mil por mês), a procura cresceu 11,7%.
No acumulado de janeiro a maio, houve
crescimento na busca por crédito apenas entre os consumidores de baixa
renda, que ganham até R$ 500 por mês (aumento de 1,9% ante o mesmo
período de 2011). As outras faixas de renda tiveram quedas que variaram
de 7,3% (renda mensal superior a R$ 10 mil) a 8,9% (entre R$ 500 e R$
1.000 por mês).
As regiões Sul e Sudeste foram as que
apresentaram maior crescimento na demanda dos consumidores por crédito
em maio, na comparação com abril. No Sul, a alta chegou a 16,3%, e no
Sudeste, a 15%. Já no acumulado do ano, essas regiões mostraram os
maiores recuos: 8,7% no Sudeste e 9,2% no Sul.
As regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste registraram as menores quedas no acumulado do ano, 1,3%, 5,2% e 5,3%, respectivamente.
Segundo os economistas da Serasa, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)
no setor automotivo e os anúncios de reduções das taxas de juros dos
empréstimos pela rede bancária motivaram o consumidor a procurar crédito
do mês passado.
“Entretanto, apesar dessa reação, os
níveis mais elevados de inadimplência e de endividamento do consumidor
ainda mantêm a demanda dos consumidores por crédito em patamares
inferiores aos registrados ao longo do primeiro semestre de 2011”,
destaca, em nota, a Serasa.
* com informações da Agência Brasil e ACP
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