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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Pesquisa da ACP mostra as razões da inadimplência em Curitiba e região

Por Denise Mello*


Para 30% dos consumidores moradores de Curitiba e Região Metropolitana com débitos em atraso, o desemprego foi apontado como a principal causa do não pagamento das dívidas. A área de serviços da Associação Comercial do Paraná (ACP) atendeu durante o mês de maio 20.611 consultas de consumidores que procuraram a instituição, com a finalidade de verificar suas restrições de crédito.

Do total de consultas, 12.385 pessoas (60%), estavam inadimplentes, ao passo que 8.226 (40%) não apresentavam restrições de crédito.

Além do desemprego, empréstimo do nome, descontrole de gastos, queda da renda e doenças na família também são apontados como causa da inadimplência. Os consumidores ouvidos têm entre 21 a 60 anos e são na maioria homens (53%) e mulheres (47%).

Ao todo, a equipe da ACP realizou 876 entrevistas com os consumidores, apurando que do número total dos questionários respondidos 30% (264 pessoas) declararam como causa da inadimplência o desemprego, que segundo o relato de 27% (233 pessoas) foi motivada pelo descontrole de gastos, ou ainda o empréstimo do nome mencionado por 25% (218 pessoas).

Segundo a amostragem, 37% (328 pessoas) estavam com o crédito barrado no comércio e 30% (264 pessoas) haviam recebido carta do estabelecimento comercial informando que seu nome seria incluído no SCPC. Para 104 pessoas (11,8%) a motivação da consulta era saber se o nome constava do SCPC, mesmo com o débito pago, enquanto 26 entrevistados (2,9%) relataram o roubo e uso indevido de seus documentos por terceiros.

No item emprego/desemprego a amostragem indicou, no entanto, um dado contraditório quando se tratou de explicar a falta de pagamentos das dívidas, tendo em vista que 72% dos entrevistados revelaram estar empregados e apenas 19% confirmaram o desemprego.
Carnês (293), cheques (236), cartões de loja (176), empréstimos (93), cartões de crédito (69) foram as formas de pagamento utilizadas pelos compradores que deixaram de saldar os débitos na primeira quinzena de maio, muito embora 36% deles tenham mostrado interesse em pagar as contas, 38% pretendem renegociar com o credor e 10% pagar a dívida imediatamente.

Entre os credores, segundo respostas dos inadimplentes, 42% tomaram a iniciativa de oferecer alguma vantagem para a quitação do débito, ao passo que 52% não demonstraram interesse em facilitar o pagamento. Pouco mais da metade dos inadimplentes (53%) pretendem continuar comprando e 38% vão aguardar a melhoria das condições financeiras.

Cresce procura por crédito

O número de pessoas que procuraram crédito em maio cresceu 14% em relação ao mês anterior, de acordo com levantamento divulgado pela empresa de consultoria Serasa Experian no último dia 12. Em abril, havia sido registrado recuo de 11,2%. Na comparação com maio do ano passado, houve queda de 7,5%. No acumulado do ano, a demanda apresentou redução de 7,6% ante o mesmo período de 2011.

Entre as faixas de renda, a procura por crédito cresceu 16,3% (na passagem de abril para maio) entre aqueles com salário até R$ 500 por mês. Na faixa de R$ 500 a R$ 1.000 mensais, foi registrada alta de 15% e, na de entre R$ 1.000 e R$ 2 mil, de 13,2%. Já entre os consumidores com renda mais elevada (de R$ 5 mil a R$ 10 mil por mês), a procura cresceu 11,7%.

No acumulado de janeiro a maio, houve crescimento na busca por crédito apenas entre os consumidores de baixa renda, que ganham até R$ 500 por mês (aumento de 1,9% ante o mesmo período de 2011). As outras faixas de renda tiveram quedas que variaram de 7,3% (renda mensal superior a R$ 10 mil) a 8,9% (entre R$ 500 e R$ 1.000 por mês).

As regiões Sul e Sudeste foram as que apresentaram maior crescimento na demanda dos consumidores por crédito em maio, na comparação com abril. No Sul, a alta chegou a 16,3%, e no Sudeste, a 15%. Já no acumulado do ano, essas regiões mostraram os maiores recuos: 8,7% no Sudeste e 9,2% no Sul.

As regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste registraram as menores quedas no acumulado do ano, 1,3%, 5,2% e 5,3%, respectivamente.

Segundo os economistas da Serasa, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no setor automotivo e os anúncios de reduções das taxas de juros dos empréstimos pela rede bancária motivaram o consumidor a procurar crédito do mês passado.

“Entretanto, apesar dessa reação, os níveis mais elevados de inadimplência e de endividamento do consumidor ainda mantêm a demanda dos consumidores por crédito em patamares inferiores aos registrados ao longo do primeiro semestre de 2011”, destaca, em nota, a Serasa.
* com informações da Agência Brasil e ACP

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